Tratamento Ortodôntico de Dentes Inclusos, Retidos e Impactados.
- drmarlosloiola
- 18 de dez. de 2025
- 17 min de leitura
A impactação dentária é uma anomalia de erupção complexa que afeta uma porção significativa da população, envolvendo incisivos, caninos, pré-molares e molares. Nas últimas duas décadas, o diagnóstico e o tratamento dos dentes impactados foram revolucionados por avanços tecnológicos e de uma compreensão mais profunda da biomecânica ortodôntica.
1. Introdução
A falha na erupção de um ou mais dentes permanentes dentro do seu período cronológico esperado é uma ocorrência clínica desafiadora e multifatorial, classificada como impactação dentária [1]. Esta condição não se limita aos terceiros molares; ela pode afetar qualquer dente na arcada, incluindo incisivos, caninos, pré-molares e até molares, cada um com sua própria etiologia, prevalência e complexidade de tratamento [2]. O manejo destes dentes impactados é um dos pilares da Ortodontia, que exige um planejamento interdisciplinar que frequentemente envolve cirurgia oral e, por vezes, periodontia.
Os protocolos de tratamentos evoluiram drasticamente nos últimos 20 anos. A transição de abordagens baseadas em radiografias panorâmicas e periapicais bi-dimensionais, para o diagnóstico tridimensional preciso com a Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC) permitiu um planejamento cirúrgico e ortodôntico com níveis de detalhe e segurança sem precedentes [3, 4]. Como Lúcia Cevidanes e seus colaboradores demonstraram, a capacidade de visualizar a relação exata do dente impactado com estruturas anatômicas vitais e dentes adjacentes transformou a avaliação de risco e a previsibilidade dos resultados [5].
Paralelamente, a introdução da ancoragem esquelética através de dispositivos de ancoragem temporária (DATs), ou mini-implantes, revolucionou a biomecânica ortodôntica. O trabalho pioneiro de ortodontistas como Chris Chang e Benedict Wilmes demonstrou que movimentos dentários antes considerados impossíveis ou de alto risco agora são alcançáveis de forma controlada, minimizando efeitos colaterais indesejados e, em muitos casos, reduzindo a necessidade de cirurgias mais invasivas ou extrações [6, 7].
2. Prevalência e Fatores Etiológicos Gerais
A prevalência da impactação dentária varia consideravelmente dependendo do tipo de dente e da população estudada. Os terceiros molares são, de longe, os dentes mais comumente impactados, com uma prevalência global estimada em 36.9% por indivíduo, segundo uma recente e abrangente meta-análise de Pinto et al. (2024) que incluiu quase 200.000 pacientes [8]. Após os terceiros molares, os caninos superiores são os mais afetados, com uma prevalência que varia de 0.92% a 2.2% [9].
Incisivos e pré-molares são menos frequentemente impactados. A impactação de incisivos centrais superiores é uma condição rara, com prevalência estimada entre 0.06% e 0.20% [10], enquanto a de pré-molares atinge cerca de 0.63% na população geral e 1.6% em pacientes ortodônticos [11].
Os fatores etiológicos podem ser classificados em locais e sistêmicos:
Fatores Locais: São os mais comuns e incluem discrepância de espaço (a falta de espaço na arcada é a causa mais frequente para a impactação de caninos e pré-molares), obstruções físicas (dentes supranumerários como mesiodentes, odontomas, cistos ou tumores), retenção prolongada de dentes decíduos, anquilose (fusão do cemento radicular ao osso alveolar), dilaceração radicular, e erupção ectópica (um caminho de erupção anômalo, como observado por Daniela Garib em estudos sobre pré-molares) [12].
Fatores Sistêmicos: São menos comuns e geralmente associados a síndromes ou condições médicas, como displasia cleidocraniana, síndrome de Gardner, hipotireoidismo e outros distúrbios endócrinos, e fatores hereditários e genéticos.
O diagnóstico precoce (Figura 1), geralmente durante a fase de dentição mista, é crucial para o sucesso do tratamento e para minimizar complicações como a reabsorção radicular de dentes adjacentes, uma preocupação significativa especialmente na impactação de caninos maxilares [13].

Figura 1: Incisivos impactados, por um mesiodente. A prevalência desta condição é notavelmente baixa, variando entre 0.06% e 0.20%.
3. Manejo de Dentes Impactados por Grupo Dentário
A estratégia de tratamento para os dentes impactados é altamente dependente do dente em questão, sua posição, a idade do paciente e a presença de patologias associadas.
3.1. Incisivos Impactados
A impactação de incisivos, especialmente os centrais superiores, embora rara (prevalência de 0.06-0.20% [10]), representa uma emergência estética e funcional que exige intervenção precisa. A principal causa etiológica é a presença de uma obstrução física no trajeto eruptivo, mais comumente um dente supranumerário (mesiodente), responsável por 28% a 60% dos casos [14]. Outras causas incluem dilaceração radicular por trauma e agenesia do incisivo lateral adjacente.
O diagnóstico tridimensional via TCFC é mandatório para avaliar a morfologia do incisivo impactado, sua relação com estruturas adjacentes e a natureza da obstrução, como defendido por Cevidanes e Proffit [5].
Abordagem por Faixa Etária:
Dentição Mista Precoce (6-9 anos): O tratamento de eleição é a remoção cirúrgica da obstrução. Uma meta-análise de Seehra et al. (2023) demonstrou que, após a remoção do supranumerário, a erupção espontânea do incisivo ocorre em cerca de 57.6% dos casos [2]. No entanto, a chance de sucesso aumenta significativamente se a intervenção for realizada precocemente, na dentição decídua ou mista inicial [2].
Dentição Mista Tardia e Adolescência (9-14 anos): Se a erupção espontânea não ocorrer dentro de 6 a 12 meses após a remoção da barreira, uma abordagem combinada de exposição cirúrgica e tracionamento ortodôntico é indicada. A mesma meta-análise de Seehra et al. (2023) mostrou que a remoção do supranumerário combinada com a criação de espaço ou tracionamento ortodôntico eleva a taxa de sucesso para 82.4% e 96.9%, respectivamente [2].

O prognóstico é geralmente favorável, mas o tratamento pode ser longo e complexo, exigindo uma equipe multidisciplinar bem coordenada.
3.2. Caninos Impactados
Os caninos superiores são os segundos dentes mais frequentemente impactados, com uma prevalência de 0.92% a 2.2% [9]. A impactação é mais comum no sexo feminino (2:1) e a posição palatina (Figura 2) é a mais prevalente (cerca de 85% dos casos) [15]. A etiologia é multifatorial, com fortes componentes genéticos ("teoria genética") e a falta de espaço na arcada ("teoria da guia") sendo as hipóteses mais aceitas [16].

Figura 2: Canino superior impactado em posição palatina, que representa 85% dos casos.
O diagnóstico precoce através da palpação do canino na região do palato por volta dos 9-10 anos de idade é fundamental. A ausência bilateral ou a assimetria é um forte indicador de anomalia eruptiva. A TCFC é o padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo a localização precisa do canino, a avaliação do risco de reabsorção radicular dos incisivos adjacentes (uma complicação que pode afetar até 0.71% das crianças entre 10-13 anos [13]) exame também fundamental para o planejamento do vetor de força para o tracionamento.
Abordagem por Faixa Etária:
Dentição Mista (9-11 anos): A intervenção interceptiva, como a extração do canino decíduo, pode ser eficaz. Uma revisão sistemática mostrou que esta abordagem pode levar à erupção espontânea do canino permanente em até 69% dos casos, especialmente se houver espaço suficiente e a posição do canino for favorável [17].
Adolescência e Adultos (13+ anos): A abordagem padrão é o tratamento combinado cirúrgico-ortodôntico. A taxa de sucesso do tracionamento é alta, em torno de 95-96% [18]. A escolha da técnica cirúrgica (exposição aberta vs. fechada) depende da posição do dente e da quantidade de gengiva inserida, mas revisões sistemáticas não encontraram diferenças significativas nos resultados periodontais a longo prazo entre as duas técnicas [19].

O tracionamento de caninos impactados (Figura 3) é um procedimento que aumenta o tempo total de tratamento ortodôntico e acarreta riscos como perda óssea e recessão gengival, que devem ser cuidadosamente monitorados [20].

Figura 3: Sequência do tracionamento ortodôntico de um canino impactado.
3.3. Pré-Molares Impactados
A impactação de pré-molares é menos comum, com uma prevalência de 0.63% na população geral, mas que sobe para 1.6% em pacientes ortodônticos, sugerindo uma forte correlação com outras más oclusões [11]. Os pré-molares inferiores são mais afetados que os superiores [21]. A etiologia frequentemente está ligada à erupção ectópica, falta de espaço devido à perda precoce de molares decíduos, ou obstruções como odontomas.

A erupção ectópica dos segundos pré-molares inferiores geralmente ocorre para distal e está associada a um atraso no desenvolvimento dentário [12]. O diagnóstico é tipicamente radiográfico, e a TCFC é valiosa para determinar a inclinação exata do dente e sua relação com o nervo alveolar inferior.
Abordagem por Faixa Etária:
Dentição Mista (8-12 anos): A intervenção precoce é a chave. Se a impactação for causada pela perda precoce do segundo molar decíduo, a manutenção ou recuperação do espaço é o primeiro passo. Em casos de erupção ectópica leve, a remoção do dente decíduo e o monitoramento podem ser suficientes para a autocorreção.
Adolescência e Adultos (12+ anos): Para os pré-molares com impactação moderada a severa, a abordagem combinada de exposição cirúrgica e tracionamento ortodôntico é a mais comum. A complexidade reside na proximidade com o forame mentoniano e o canal mandibular. A taxa de sucesso é alta quando o dente não está em uma posição horizontal profunda.
3.4. Molares Impactados
Este grupo é dominado pela impactação (Figura 5) de terceiros molares (dentes siso), a mais prevalente de todas as impactações dentárias, afetando 36.9% da população mundial [8]. A principal causa é a falta de espaço filogenética na região posterior das arcadas. Embora a extração profilática seja um tema de debate, a remoção é indicada na presença de patologias como pericoronarite, cistos, tumores, ou dano aos segundos molares adjacentes [22].

Figura 5: Classificação das posições de impacção dos terceiros molares e a impactação mesial de um segundo molar.
De maior relevância para a prática ortodôntica é a impactação de primeiros e segundos molares permanentes. A erupção ectópica dos primeiros molares permanentes ocorre na dentição mista precoce, quando o primeiro molar irrompe mesialmente e fica impactado sob a coroa do segundo molar decíduo. O tratamento pode variar desde a simples colocação de um fio de latão ou elástico separador para distalização até o uso de aparelhos mais complexos [23]. A impactação dos segundos molares permanentes geralmente ocorre por inclinação mesial e falta de espaço. Uma revisão de Magnusson et al. (2009) mostrou que a exposição cirúrgica e o verticalização ortodôntica têm uma taxa de sucesso de 71% [24]. Aparelhos específicos, como o descrito por Fu et al. (2012), podem ser muito eficazes para a correção [25].
4. A Revolução Tecnológica no Diagnóstico e Tratamento
As últimas duas décadas testemunharam uma transformação digital que redefiniu os limites da Ortodontia. A capacidade de diagnosticar, planejar e executar tratamentos com precisão milimétrica elevou a previsibilidade e a segurança dos procedimentos para dentes impactados.
4.1. Diagnóstico Tridimensional: A Era da TCFC
A introdução da Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC) na prática ortodôntica marcou o fim da dependência de imagens bidimensionais, que sofrem de sobreposição de imagens anatômicas e distorção. A TCFC oferece uma reconstrução 3D fiel da anatomia do paciente, sendo hoje considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de dentes impactados [3].
Os benefícios da TCFC (Figura 6) extensivamente documentados em trabalhos de pesquisadores como Lúcia Cevidanes, incluem [5]: localização precisa (determinação exata da posição do dente impactado nos três planos do espaço), avaliação de estruturas adjacentes (análise detalhada da integridade das raízes dos dentes vizinhos, do osso alveolar e da proximidade com estruturas nobres), diagnóstico de patologias (identificação de anquilose, reabsorção radicular externa, cistos), e planejamento cirúrgico e ortodôntico (simulação do acesso cirúrgico e do vetor de força ideal para o tracionamento).

Figura 6: A Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC) permite um diagnóstico tridimensional preciso, com reconstruções 3D e cortes multiplanares que são essenciais para o planejamento seguro do tratamento de dentes impactados.
Uma revisão sistemática de Polizzi et al. (2024) reafirma a TCFC como uma tecnologia revolucionária que mudou a paisagem da imagem ortodôntica [4]. Embora a dose de radiação seja uma consideração, protocolos de baixo dose (low-dose) e a limitação do campo de visão (FOV) tornam seu uso seguro e justificado em casos complexos de impactação [26].
4.2. Ancoragem Esquelética: Redefinindo a Biomecânica
A ancoragem é um dos princípios fundamentais da Ortodontia, e a busca por uma ancoragem absoluta e estável tem sido uma constante. A introdução dos Dispositivos de Ancoragem Temporária (DATs), ou mini-implantes, representou um salto quântico nessa busca. Como afirma Chris Chang, a Ortodontia passou por uma profunda transformação desde que a ancoragem esquelética se tornou parte dos planos de tratamento [6].
Os mini-implantes são pequenos parafusos de titânio ou aço cirúrgico, inseridos em locais estratégicos do osso maxilar ou mandibular para servirem como um ponto de ancoragem imóvel, a partir do qual forças ortodônticas podem ser aplicadas com precisão. No contexto de dentes impactados, eles oferecem vantagens imensas: vetor de força ideal (permitem a aplicação de forças em direções que seriam impossíveis com a ancoragem dentária convencional), minimização de efeitos colaterais (evitam movimentos indesejados nos dentes de ancoragem), e simplificação da mecânica (reduzem a necessidade de aparelhos complexos).
Locais de inserção como a crista infrazigomática (IZC) e a "prateleira" vestibular (buccal shelf), ampliaram ainda mais as possibilidades, permitindo a aplicação de forças para distalização de toda a arcada ou intrusão de molares, criando o espaço necessário para o alinhamento de dentes impactados [7, 27]. Um estudo de Chang et al. (2022) demonstrou altas taxas de sucesso para parafusos na IZC, validando sua eficácia clínica [28]. Uma meta-análise recente de Burgos-Lancero et al. (2025) também confirmou a efetividade dos DATs para a intrusão de molares na correção da mordida aberta anterior, uma técnica que pode ser sinérgica ao tratamento de impactações [29].

Figura 7: Mini-implante na Crista Infrazigomática (IZC), permite a aplicação de forças ortodônticas complexas.
4.3. Fluxo de Trabalho Digital: Impressão 3D e CAD/CAM
O fluxo de trabalho digital completo — desde o escaneamento intraoral até a fabricação de aparelhos customizados — está otimizando ainda mais o tratamento de dentes impactados. A impressão 3D, em particular, tem um papel de destaque.
O processo, como descrito por Simon Graf e Benedict Wilmes, geralmente segue estes passos [30, 31]: (1) Aquisição de Dados - um escaneamento intraoral substitui as moldagens tradicionais, e uma TCFC fornece os dados anatômicos 3D; (2) Planejamento Virtual (CAD) - os arquivos digitais (STL da arcada e DICOM da tomografia) são fundidos em um software de planejamento, onde o ortodontista pode simular a cirurgia, a inserção de mini-implantes e o design de um aparelho customizado; (3) Fabricação (CAM) - guias cirúrgicos para a exposição do dente impactado ou para a inserção precisa de mini-implantes são impressas em 3D, e aparelhos ortodônticos complexos, retidos por mini-implantes, podem ser fabricados diretamente em metal (titânio ou cromo-cobalto) através de impressão 3D (Selective Laser Melting - SLM), como demonstrado por Graf et al. (2018) [32].
Esta abordagem digital oferece uma precisão e customização sem precedentes, resultando em aparelhos mais eficientes, menor tempo de cadeira e resultados mais previsíveis [33].

Figura 8: O fluxo de trabalho digital, desde o escaneamento intraoral e design em CAD/CAM até a impressão 3D de aparelhos metálicos customizados,, permite a criação de dispositivos de alta precisão para o tratamento de dentes impactados.
4.4. Inteligência Artificial (IA) no Horizonte
A Inteligência Artificial está emergindo como uma ferramenta poderosa para auxiliar no diagnóstico e planejamento de tratamentos ortodônticos. Embora ainda em desenvolvimento, os algoritmos de IA já demonstram um potencial significativo para: ajuda no diagnóstico (redes neurais convolucionais podem ser treinadas para detectar e segmentar automaticamente dentes impactados em imagens de TCFC) [34], análise de variaveis preditivas (a IA pode analisar uma vasta gama de variáveis para prever a probabilidade de sucesso da erupção espontânea ou do tracionamento) [35], e planejamento de tratamento otimizado (algoritmos podem sugerir o vetor de força mais eficiente para o tracionamento) [36].
Revisões sistemáticas recentes confirmam o potencial da IA (Figura 9) ajudar na precisão e a eficiência do planejamento ortodôntico, atuando como um sistema de suporte à decisão para o clínico [37, 38].

Figura 9: A Inteligência Artificial (IA) aplicada ao diagnóstico ortodôntico, analisando imagens radiográficas para detectar automaticamente dentes impactados, prever a probabilidade de erupção e auxiliar o clínico na tomada de decisões.
5. Abordagem Integrada por Faixa Etária: O Momento da Intervenção
A decisão de quando intervir é uma das mais críticas no manejo dos dentes impactados. A abordagem varia significativamente com a idade do paciente e o estágio de desenvolvimento da dentição, como ilustrado na Figura 10.
Na Dentição Decídua e Mista Precoce (6-11 anos): Esta é a fase da prevenção e interceptação. O foco está em identificar e remover barreiras à erupção, como dentes supranumerários ou cistos, e em manejar o espaço na arcada. Intervenções precoces, como a extração de um canino decíduo para guiar a erupção do permanente, podem evitar tratamentos muito mais complexos no futuro [17]. O monitoramento ativo é a palavra-chave. Estudos como o de Keski-Nisula et al. (2008) mostram os benefícios de aparelhos de guia de erupção nesta fase [39].
Na Adolescência (12-18 anos): Esta é a fase do tratamento corretivo. Se a impactação já está estabelecida, a abordagem combinada de cirurgia e ortodontia é a mais comum. O potencial de crescimento ainda presente e a excelente resposta celular tornam esta a idade ideal para o tracionamento ortodôntico, com as mais altas taxas de sucesso [18].
Adultos (18+ anos): O tratamento em adultos é mais complexo devido à ausência de crescimento, maior densidade óssea e menor potencial de resposta celular, o que pode aumentar o risco de anquilose. A ancoragem esquelética com mini-implantes pode ser usada para alcançar os resultados desejados sem comprometer os dentes adjacentes [6]. Em casos de impactações severas, a extração do dente impactado seguida de reabilitação com implante dentário ou o autotransplante podem ser as opções mais realistas e previsíveis [40].

Figura 10: As estratégias de tratamento para dentes impactados variam drasticamente com a idade. A intervenção precoce na dentição decídua/mista foca na prevenção, enquanto a adolescência é ideal para a correção ortodôntica. Em adultos, a ancoragem esquelética.
6. Conclusão
A evolução no tratamento de dentes inclusos, retidos e impactados nas últimas duas décadas representa um dos maiores avanços da Ortodontia contemporânea. A jornada desde um diagnóstico incerto, baseado em imagens 2D, até um planejamento 3D com maior acurácia além de uma execução biomecanicamente controlada, reflete a maturação da especialidade, impulsionada pela ciência e pela tecnologia.
A TCFC consolidou-se como uma ferramenta diagnóstica indispensável, enquanto a ancoragem esquelética, redefiniu o que é mecanicamente possível. O fluxo de trabalho digital, integrando escaneamento intraoral, design CAD/CAM e impressão 3D, está tornando os tratamentos mais eficientes e customizados. A Inteligência Artificial, no horizonte, promete automatizar e otimizar ainda mais esses processos.
O manejo bem-sucedido dos dentes impactados hoje depende de um diagnóstico precoce, de uma compreensão profunda da etiologia e da seleção de uma estratégia de tratamento baseada em evidências, adaptada à idade e às necessidades individuais de cada paciente. A colaboração interdisciplinar entre ortodontistas, cirurgiões e periodontistas continua a ser a pedra angular do sucesso. Olhando para o futuro, a contínua integração de tecnologias digitais e biológicas promete tornar o tratamento de dentes impactados ainda mais previsível e menos invasivo, melhorando a qualidade de vida de inúmeros pacientes.
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